2.1.11

Aqui, pardal!

Não que eu entenda muito de Direito Internacional. Não que eu entenda muito de Direito. Não sei quase nada da história de Cesare Battisti. Nem vou falar especificamente do Caso Battisti, mas da ingerência, aliás, da tentativa de ingerência do governo italiano, às vésperas da decisão de Lula, querer meter o bedelho e, logo pela figura nefasta do Berlusconi, demandar a extradição.

A partir daí, ainda que Battisti seja o comedor de criancinhas que dizem que é (como dizem da Dilma também), o objeto deixa de ser a mera extradição e passa a ser a soberania nacional.

E aí, malandro... tomá no cú a Itália, hein! Quem manda nessa porra aqui, afinal!? Lula acertou em negar a extradição por esse e provavelmente por outros fatos, também.

As ameaças italianas de boicote ao turismo não chegaram a incomodar sequer os empresários brasileiros do setor e vinho tinto, sou mais o Periquita! Foda-se o Berlusconi.

23 comentários:

Cris disse...

rsrsrsrs
Acho que a Itália realmente pegou pesado e está achando que pode ditar regras e ameaçar!

ôoooooooooo mundo que não se entende!!!!!!!

betina moraes disse...

belo post!

como sempre, né roberto?

abraços.

Sylvio de Alencar. disse...

O Berluca é mó porcão, moral e politicamente.
Pelo que já li, acho que o Batistini deveria ter sido deportado, e que aqueles cubanos não deveriam ter sido mandados de volta, e que a luta pela liberdade em Cuba deveria ter recebido mais atenção (veja bem, não falei 'simpatia') do nosso governo - o 'martírio' do rapaz passou batido; e não só passou batido como ganhou uma jocosa piada feita pelo nosso ex.

Abração Roberto. Saudades. Tudo de bom!

ROBERTO disse...

Cris,

Como sempre a Europa se acha. Mas, já faz um tempinho que isso vem mudando, e essa decisão é prova.

ROBERTO disse...

Betina,

Obrigado, obrigado, rsr.

Aliás, tô devendo visitas, eu sei. Mas, ou eu escrevia essa meia dúzia de linhas, ou comentava nos blogs. Tá faltando é tempo, mesmo. Mas eu chego lá.

bj.

ROBERTO disse...

Sylvio tava sumido! Bemvindo de volta, cara.

Nos dois casos que você citou, acho que os focos não eram a extradição do italiano ou a solidariedade ao cubano. Num, não nos metemos com a soberania cubana e noutro exigimos respeito à nossa própria soberania.

Mas, me lembra aí, esses cubanos que foram mandados de volta... não acompanhei isso. Manda um link de notícia, qualquer coisa aí, preu me inteirar.

Abração!

Sylvio de Alencar. disse...

Vou ver se acho a noticia (isso, é claro, se não for viagem minha!).

Rob, pô, a diplomacia tá aí pra isso né?, pra dar uns toques de maneira sutil!!!
Ora, use-mo-la (ficou estranha essa próclise-ênclise - etc), para opnar sobre algo que não concordamos.
Tá bom, fiquemos quietos em respeito às soberanias; mas não precisamos encarar uma morte de protesto (legítimo), com risadinhas e ironias mal colocadas... Faltou maturidade em nossa politica externa, enão foi a primeira vez.
Mas, a politica de um pais, de uma maneira geral, é o resultado do pensamento de tooodo um povo; que têm pessoas inteligentes em seu seio, mas, que tem também pessoas que são puros animais (não, não estou falando de ninguém em particular; tou falando do 'povo' mesmo'), então, tira-se a média, e temos o que temos: uma politica externa beeem fraquinha.

Olha Roberto, independente do Berlusca, esse BAtistini é condenado em seu país por terrorismo (né? Com mortes...). Ficamos assim..., melindrados, e deixamos de agir 'judicialmente'.

bom, deixa ver se aquela noticia de cubanos repatriados procede.

Abração brother!
(Eu, sumi. Mas, tu também!) :)

Jéssica L. disse...

Pois é, o que ocorre é q o Brasil ainda tem no exterior uma imagem de país fraco, de país incapaz de tomar suas decisões sem a influência de outro país do primeiro mundo. Mas com relação a essas ameaças da itália de boicote ao turismo, eles realmente viajaram, até parece q alguém não vai querer conhecer as praias do Rio de Janeiro e da Bahia só por causa de uma decisão do presidente em não extradição.
Só q tb não sei muito sobre a história do Battisti, mas espero q nosso país tb leve em consideração os crimes q ele cometeu e tome uma decisão pensando nisso, não no quê que a itália vai achar da decisão.

ROBERTO disse...

Pois é, Cris... eu mesmo tenho que me apropriar melhor do caso Battisti, especificamente. Mas o que eu queria falar mesmo era da soberania... o exercício da soberania nacional que, pra mim, é novidade. Ainda lembro muito bem de períodos em que o simples fato de um país europeu achar isso ou aquilo já era o suficiente pra fazer tremer nossos diplomatas. Essa decisão é, além de um ato pertinente a um caso particular, símbolo das mudanças que se processaram no país nos últimos anos e que vão muito além de aprofundamento de políticas internas. Isso é excepcional e confesso que cheguei a acreditar que não veria esse dia. O dia em que a ex-colônia chegou pra metrópole e disse: "aqui, pardal!"

Barbara disse...

Foi essa educação que a mama te deu, bambino?
Foi.
(Até melhorei com essa...vou compartilhar lá no face).

Sylvio de Alencar. disse...

Mas o que eu queria falar mesmo era da soberania... o exercício da soberania nacional que, pra mim, é novidade.

Isso ficou claro desde o primeiro momento.
Talvez não tenhamos participado mais efusivamente de sua surpresa por (deixa mudar o verbo:) saber e acompanhar o desenvolver das coisas politicas e tecnológicas.
Me explico: as decisões governamentais são hoje mais acessiveis a nós pobres (cidadãos) mortais. Antigamente, e ainda hoje em países sob regimes ditatoriais, as decisões eram (e são), tomadas unilateralmente, não são discutidas em profundidade pelo povo, e pelas pessoas, tão abertamente.
Hoje, tudo se sabe; tudo se julga... Estamos no geral mais atentos e informados, nossa diplomacia também. Então, diante deste quadro, erros de avaliação não são tão tolerados.

Soberania é respeitada quando um país atinge uma certa maturidade. com sua surpresa posso imaginar que não somos suficiente maduros para sermos respeitados.
Somos. Maduros e respeitados.
Por isso critico alguns governantes que não se apercebem disso, e cometem falhas absurdas.

Acontecimentos como Cuba, Bolivia, Honduras; aproximações com ditadores sanguinários africanos; aberturas de embaixadas em países sem expressão...; levando em conta esta nossa pretendida (por mim pelo menos), soberania, acho que falhamos em algumas coisas.

Se a Itália, a Europa respeitou nossa soberania, é por serem eles maduros como nações, não tem muito a ver com a gente... Era isso que queria dizer; desculpe se enchi linguiça.

São 3 da matina, tou cansado; talvez tenha me enrolado um pouco ao explanar minhas idéias; mas no geral é mais ou menos por aí.
Boto fé no meu país, mas, 500 anos não é muito.

Abrçs.

ROBERTO disse...

Sylvio,

Se a gente tem laços - comerciais, diplomáticos e o escambau - com a própria Nova Roma, qual o porblema em estabelecermos os mesmos laços com Cuba, Irã...? Isso, pra mim é maturidade, sim. Estabelecer diálogo com todos, sem ingerir na soberania de cada um.

Nossos 500 anos são poucos, sim. Mas somos jovens nos apoderando de nós mesmos e de um mundo ainda dominado, aqui e ali, pelos velhos de sempre.

Já não vejo amigos refinando um sonho provinciano de "vou-me embora pros istêitis", apesar de ainda ver um ou outro alimentando um sonho parecido, de sair da cidade e se mandar pro Rio, SP, que é, ainda, uma covardia, mas bem menor que largar um emprego de médico do SUS pra lavar privada de gringo.

Isso é mudança e mudança sempre traz alguns transtornos e estranhamentos.

ROBERTO disse...

Barbara,

A culpa é tua!rsrs

Sylvio de Alencar. disse...

Perfeitamente entendido, e aceito!
É como, digamos, a puberdade quando chega: incomoda mas nóis adora.

Interessante...: já li um autor de ficção científica (esses caras são dmais!!!!), laureado com prêmios Hugo e Nebula - lembrei-me do nome, Sprag Le Camp - que em dois de seus romances estabeleceu o Brasil como 1ª potência... Legal né? Tem gente que acredita que possamos ser os gringos do futuro. Rsrs!! Quem sabe...

Abração Roberto!

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

Robertaço, falou e disse. O que está em jogo é a soberania nacional. E o Lula, como sempre, mostrou a cobra, o pau, o butantã inteiro.

É nóix Roberto!

ROBERTO disse...

Wal,

... e isso é uscórno do Lula!

Sylvio de Alencar. disse...

http://jus.uol.com.br/revista/texto/14997/concessao-de-asilo-politico-no-brasil

(...)Todavia, o caso supra mencionado parece não ser a praxe brasileira quanto à concessão de asilo político. É interessante destacar que o ministro Tarso Genro, defensor das razões humanitárias, negou asilo, recentemente, a dois boxeadores cubanos que, em 2007, após o Panamericano, no Rio, pediram para refugiar-se neste país, já que receava perseguições em Cuba. Todavia, inexplicavelmente, o governo brasileiro, devolveu-os a Fidel Castro, que os encarcerou. Ou seja, o Estado brasileiro ignorou as regras internacionais necessárias à concessão de asilo político, pois tratou os cubanos como se não fossem titulares de direitos internacionais (AZEVEDO, 2009, p.01).(...)

Caso os cubanos representassem o Brasil na Corte Internacional de Justiça ou na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, se em Cuba eles tivessem liberdade suficiente para questionar a decisão do Brasil, possivelmente o país seria condenado.




Aceitamos:
Batistini - terrorista condenado.
Ronald Biggs - ladrão.
Manuel Zelaya - cara de pau. Entrou sem pedir, na Embaixada...!

ROBERTO disse...

Sylvio

Cuba são outros quinhentos... a dureza em que vive o povo cubano é fruto de um embargo covarde, imposto por Roma, muito mais do que resultado de uma "ditadura" que nem o william bonner acredita.
A intolerância ocidental com a soberania de uma nação que escolheu viver diferente de nós.

Aí, dois sujeitos que são pagos pra fazer o que gostam resolvem virar as costas pro país que lhes bancou a formação - cidadã, acadêmica e profissional - pra ter o direito a um big mac!? (aqui entendendo que DIREITO não é ACESSO ao direito) tem mais é que ser deportado, mesmo.

Sylvio de Alencar. disse...

"Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em todo o Haiti, destroçado pelo terremoto e pela cólera."

"Cuba permanece com a chama da revolução acesa. Por onde se passa, outdoors homenageiam as tropas que venceram batalhas na conquista do poder em 1959 ou lembram os enfrentamentos nas tentativas frustradas dos EUA de inibir o avanço do comunismo."


Por um lado, médicos cubanos dão exemplo.
Por outro, bate-se na mesma tecla política a 52 anos. Cincoenta e dois anos!!
Não concordo, e me desagrada o sistema político adotado em Cuba assim como seus representantes.
Mas isso é problema deles. E o que eu gosto ou não, não faz a mínima diferença, eu sei.

Outros países escolheram viver diferentes de nós, a Suécia por exemplo; o Irã...
Cuba não é 'vítima' dos EUA, apenas segue sua própria diretriz e paga o preço; que uma boa parte da população rejeita.

No que se refere ao 'nosso' comportamento diplomático, com relação aos esportistas cubanos, o articulista foi enfático: foi uma atitude diplomáticamente passível de crítica.

A dureza nisso tudo, Roberto, é que a visão diplomática brasileira muda conforme o governo, falta-lhe personalidade.
Defender essa 'diplomacia', pois, como eu poderia??

Quanto aos cubanos esportistas..., não entro no mérito; não era sobre eles que eu queria tratar.
Atrelar nossa 'soberania' neste 'casinho', foi exagero...; foi apenas (embora emblemático), um 'incidente diplomático'.

Abrçs.

ROBERTO disse...

Sylvio

"Já não falamos fino com Washington, nem grosso com a Bolívia..."bem disse o Buarque. Essa foi a grande mudança.

"Passível de crítica" é tudo, rsrs.

Sylvio de Alencar. disse...

Houve uma época que todos os governos falavam fino, ou para os EUA ou para a URSS (que já era, numas).
'Falar fino' pode ser sinal de covardia, ou, uma nescessidade ditada pelas circunstâncias; assim como 'falar grosso', pode ser suicídio, resultado de falta de inteligência política.
Na diplomacia esses termos não se aplicam, revelam falta de profundidade e visão estadista.
O Buarque foi infeliz; mas, entendi o conceito embutido.

Essa grande 'mudança' não foi resultado de uma politica nacional bem dirigida. Na época do declínio romano também houve 'mudanças', países sob o jugo romano também começaram a 'falar grosso'...

Percebo em vc, e na Wall, uma forte tendência a 'exaltar', a 'defender', a 'frisar', características do governo petista; como se estivesse a atacá-lo...
Busco em vcs uma equidistância, um equilíbrio, uma visão mais universal sobre o que é politica.
Havendo tudo isso, podería se alçar a vôos mais amplos, a conversas (ou 'discussão', como queira), que mitigassem a sede de saber.

Grande abraço, Roberto.

ROBERTO disse...

Sylvio...

É justamente por reconhecer no governo petista um modelo de equilibrio entre a utopia e o possível que o defendo - e penso que posso falar pela Wal, nesse aspecto, tb. Se não puder... já era, rsrs

Sylvio de Alencar. disse...

É justamente por reconhecer no governo petista um modelo de equilibrio entre a utopia e o possível que o defendo - e penso que posso falar pela Wal, nesse aspecto, tb. Se não puder... já era, rsrs

O seu reconhecer, não é o meu.
Mas, isso não me impede de aceitar, respeitar, e abraçar o seu reconhecimento.
É nessa ação que entendo o seu posicionamento perante todas as questões por nós abordadas.
Se o Homem é a medida de todas as coisas, então ele deve ser respeitado; e suas medidas o serão também, com ele.

Abrçs!